domingo, 2 de octubre de 2005

Bolacha

Os quatro afundados no sofá, ouvindo como se fosse pecado, bebendo como se fosse escondido. Tudo é escuro, qualquer palavra parece motivo de represálias. Psiuuuu! E a musica divina parece que vai começar, um pequeno ensaio para o teclado, ele quem anuncia o itinerário do nosso não-destino, parece um “lugar” aquele sofá, tomou forma de submarino e nós voltamos a amar com LSD para ouvidos, pena a viagem sempre ser tão curta. Só uma luzinha descortina o labirinto de risos e discussões que guardamos dentro de si. São os mesmos gritos, os mesmos sons, a mesma pequenez, a diferença é que não me vejo a única minúscula no meio da sala. Pra dizer a verdade quase babo de tamanho transe, e olho ao lado vejo algo parecido. Coisa de puberdade? Bem que parece. Adulteramos por um momento a idade. E no submarino vimos alguns acenos, gente amiga, gente rebelde, de longe apenas acenavam e sorriam. Vivo sentido cheiros, alguns de pessoas, a lembrança é tanta. Cheiro de cidades, manhãs, meninice, gente que se foi e não volta mais, gente que cresceu, ficou adulto demais, gente de momento, gente que eu amei. No submarino nós pudemos voltar um pouco no tempo, sentir denovo. E pude ver que gosto de me apaixonar pelos sonhos das pessoas, quanto mais abstrato melhor, seres sem pé nem cabeça, sem gênero, idéias sem forma definida, fantásticas, sem limite, mas não a ponto de golpe com palavras, as ações se resolvem melhor que as palavras, desde de pequena nunca fui muito de briga. Me envolto de esquizóides, maníacos, depressivos, maniacos-depressivos, gente que já foi internada, retardados, viciados, violeiros, garotos de programa, pessoas sensíveis, cheias de defeitos, gente normal que a gente vê pelas ruas.
Afinal a vida não é feita apenas de realidade.


Até que alguém começou a falar em voz alta:
O Lunático gira
O Lunático vira, desvira em seus céus, em seus monstros
Enfrenta os medos do mundo
“Me diga que você não pode ser quem você não é.”
Tudo é.

No hay comentarios.: