sábado, 15 de octubre de 2005

23:04h

Sabe, parece que nestes dias que a boca fica amarga, já queimada do café quente e de tanto cigarro os dias e noites parecem não terem fim, e esquece-se de sentir, “apenas vive” na espera de algo inesperado (redundância, e daí?), só que nestes momentos tudo parece normal, conformidade talvez seja a palavra certa... na certa de que tudo não passa de carne, matéria na qual as cópias são múltiplas, na busca da posse dos muitos; sabe se eu não me achasse o umbigo do mundo talvez não diria isso, reclamo da vida, do mundo, como se ele dependesse de mim. ( Id e superego em conflito – mato o ego, que é o todo). Eu sou a vitima atropelada que só o que vê é a beleza do cinza da calçada. Eu sou o pâncreas que parou de produzir enzimas e quer deteriorar todo o organismo. Eu sou o cancro na garganta, impossibilitando a fala, a respiração, o paladar, o canto. Depois de anos recebendo nicotina e suas comparsas, queimando os cílios na traquéia, deletando tantas hemoglobinas, porque já não bastava o enfisema, o cansaço, e a monodepressão.... Até os tiques nervosos somem, a ausência de humildade, vontade de mandar tudo a merda.... São os vôos baixos, rasos. Mas o que seria da existência se não fosse a morte, a maior prova de vida, que pressiona a vontade de sentir, tentar e não só viver. É nesses dias que é necessário um tapa na cara (olha o superego!), forçando a acordar da anestesia. É bem provável numa postura de uma toupeira imergir na cachaça, nas brejas, e toda forma de alegria plástica. Não quero começar outro parágrafo, provavelmente receberia uma bela canetada vermelha do homem das regras. Isso é romance? Que bela hipocrisia. Tantas vezes ouço amorais tão cheios de ideais, querendo defender seu desprezo pelo dinheiro, fazer de conta que é alguém bonito, elegante, bonzinho na melhor das hipóteses. Daí amanhã eu volto a acreditar na falta de impossibilidade, o universo expandindo-se, nos tantos infinitos números que podem existir entre o 1 e o 2, na realidade que eu não possa ver. No querer fazer um final feliz antes dos créditos.

1 comentario:

André Vareiro dijo...
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